domingo, 19 de novembro de 2017

Católicos protestam contra ‘arte obscena’ em exposição no DF

G1 DF.                                                                                                                          
                                                     (Foto: Hildebrando de Castro/Crédito)
Um grupo de católicos protestou neste sábado (18) em frente Museu Nacional da República em Brasília contra a “o escárnio e os ultrajes contra Jesus e Maria” na arte contemporânea brasileira. Por volta das 19h30, cerca de 200 pessoas, segundo os organizadores, rezavam "Ave Marias".

Na internet, o movimento criou uma petição para pedir o fechamento da exposição “Contraponto”, que fica em cartaz até dia 25 de novembro. O pedido de interdição teve 9.492 assinaturas até a publicação desta reportagem.
Do lado de dentro do museu, no entanto, nenhuma das obras em exibição tem apelo sexual, erótico, religioso ou aborda questões de gênero, segundo a curadoria.

Um dos organizadores do protesto, Flávio Souza explicou ao G1 que este foi um “ato de desagravo” contra movimentos artísticos que ofendem a religião católica em todo o país. “Nos últimos dois, três meses temos observado várias obras de arte e exposições que afetam diretamente a fé católica.”

O argumento do grupo para pedir o fechamento da exposição é de que a “Contraponto” expõe obras do artista Antônio Obá, “que realizou uma performance com a imagem de Nossa Senhora Aparecida com um ralador no seu órgão sexual.”
                                                (Foto: Antônio Obá/Reprodução)
A performance à qual se referem os religiosos chama-se “Atos de transfiguração”, em que o artista está nu e usa um ralador para desfazer uma pequena escultura de Nossa Senhora em gesso. Depois que o objeto vira pó, Obá despeja substância branca sobre si mesmo.

Nascido e criado em Ceilândia, Obá descreve o próprio trabalho em sua página profissional na internet como a reconfiguração da “tradição interiorana que permeia o universo religioso brasileiro, que reflete criticamente sobre a ideia de um dito sincretismo e situações históricas ligadas ao preconceito étnico.”
“Antônio Obá é o artista que tem como prática recorrente ofender e vilipendiar símbolos sagrados”, disse Souza. “Na série ‘Verônica’, que são quadros de nu, em um deles Santa Verônica está nua e, em outra, a chaga na mão de Jesus tem o formato de uma vagina.”

“Esses quadros não estão expostos, mas são do artista.” Diante da afirmativa, Souza disse ao G1 que o ato, além de pedir o fechamento da exposição, manifesta repúdio ao artista.

Tanto a performance, quanto a série “Verônica” não fazem parte da exposição “Contraponto”. Segundo a produtora da mostra, Diana Castilho Dias, o objetivo da mostra é apresentar “uma das maiores coleções de arte contemporânea do Brasil”.
A curadora, Tereza de Arruda, disse ao G1 que passou cerca de um ano analisando o acervo pessoal de um dos maiores colecionadores de arte do país, Sérgio Carvalho, que tem 1.900 trabalhos de 164 artistas de todo o país.
“São contraposições das visões de vários artistas”, explicou. “Selecionamos 34 artistas de 10 estados brasileiros e de 3 gerações.”

Segundo a produtora da mostra, Diana Castilho Dias, o grupo esteve na abertura da “Contraponto” na manhã da última sexta-feira (17), participou de um bate-papo com os artistas e conversou tanto com ela, quanto com a curadora, Tereza de Arruda. “Nós vimos claramente que eles vieram com motivação e com um desconforto muito grande em relação ao Obá.”

A obra é “Bala perdida”, criada nos anos 2000, que reúne pequenas esculturas de santos e monumentos, como Santo Antônio e o Cristo Redentor, cravejados com balas reais de revólver. “Não tem nenhum relação com fé, com religiosidade. É uma contestação à violência no Rio de Janeiro, que está tão grande que até Jesus poderia ser alvo de uma bala perdida”, explicou Diana.
Segundo a produtora, antes de inaugurar a “Contraponto”, a série de obras de Leirner foi exibida em uma mostra paralela exclusivamente para especialistas em arte e artistas. “Em momento algum essa mostra esteve prevista para abrir ao público, porque entendemos o momento e suscetibilidade do momento.

“Não houve da nossa parte qualquer censura aos artistas. Isso foi pensado dessa forma, mas não havia sequer espaço para colocar todas as obras dos artistas. Não foi censura prévia.”

O nome da mostra faz referência ao equilíbrio que a escolha e distribuição das obras confere à pluralidade de técnicas e de linguagens, colocando em um mesmo ambiente pinturas, fotografias, esculturas, vídeos, instalações, desenhos e performances.

Organizada de forma espaçada, a mostra reserva espaços privados para cada artista a fim de “respeitar a individualidade”. Mesmo assim, a ausência de portas na galeria principal do museu permite construir um paralelo entre as narrativas das obras que ficam próximas.

“Alguns artistas o Sérgio acompanha há mais de década, então você consegue ver as fases da pintura, como é o caso do Hildebrando de Castro. Ali, você vê como se fossem três artistas diferentes.”
Segundo a curadora da mostra, Tereza de Arruda, houve uma conversa com os artistas no auditório do museu na sexta a fim de dar visibilidade à produção nacional. “Estamos estimulando, incentivando e divulgando a arte contemporânea.”

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